domingo, 21 de julho de 2013

As Falácias de Sheherazade.

N.B.: Outro dia fiz um comentário sobre essa criatura no meu facebook: "Sério, tem apresentadora de telejornal mais preconceituosa, mais imbecil e mais idiota do que essa???
A mulher só fala m3rd@, com uma pose de que sua ridícula opinião seja verdade absoluta, tem uma cara de ... daquilo mesmo que vc tá pensando, e uma voz irritante. Ainda não entendi qual é a do SBT pra mantê-la como apresentadora e comentarista de meia tigela!!! Facebook Débora Santos em 05.06.13.
Sinceramente continuo me perguntando o que ela ainda está fazendo na TV brasileira???


Em um discurso repleto de ironia, falácias e preconceito, a âncora do SBT, Rachel Sheherazade, buscou, com seu discurso fraco e esvaziado de raciocínio lógico (exceto aquele que advém de seu senso comum), induzir o pensamento de alguns de seus telespectadores ao ódio e descaso contra os ateus.

Não que eu concorde com a ideia de um “desbatismo”, a questão não é essa, nem é por isso que o movimento será feito. A ideia de se utilizar de uma ação irônica, como essa, é apenas chamar a atenção para uma parcela desrespeitada da população, os quais são denominados de  ateus. Ora, vivem em um país onde não se respeita o princípio de isonomia, mas sim a ideia de MAIORIA. Se a maioria está sendo beneficiada, podemos, inclusive, desrespeitar a Constituição, tendo ensino religioso nas escolas públicas, símbolos religiosos em repartições etc etc ... Algumas pessoas entendem, por exemplo, que o financiamento à vinda do Papa seja questionável. Eu também penso que é questionável, porém, ainda não tenho embasamento suficiente para me posicionar contra ou a favor. Se eu for usar como lente, apenas meu ateísmo, eu sou contra, porém, eu só estaria sendo tão obtuso quanto qualquer pessoa que pense que apenas UMA lente deve filtrar as opiniões.


Os ateus já passaram por essa tentativa de falácia do espantalho, com Datena, agora, Sheherazade utiliza da mesma estratégia, porém, com sua fala mansa, a qual pode, muito bem, nortear os pensamento de pessoas suscetíveis e despreparadas racionalmente.


Bom, Sheherazade, como Professor de instituição Federal, tendo como uma das cadeiras a disciplina de Lógica preciso apontar os apelos falaciosos de seu discurso. Mas, antes, uma descrição lexical do que é FALÁCIA: qualquer enunciado ou raciocínio falso que entretanto simula a veracidade; sofisma (Fonte: Houaiss)


Como Jack, vamos por partes:

Sheherazade: Enquanto isso, aqui no Brasil, um pequeno grupo de ateus fundamentalistas prepara uma surpresa pro Papa.

Bar: Já começa com a falácia do espantalhoArgumentum ad hominem e Argumentum ad populum. Sim, pois ao usar o termo, fundamentalista, já prepara a opinião pública a se posicionar contra o grupo, dado que é senso comum, em nossa sociedade, que a palavra “fundamentalista” é algo nocivo. Assim, faz um ataque pessoal ao “pequeno grupo”, que ao identifica-lo como “pequeno”, já tenta tirar-lhe a autoridade, afinal, se são poucos, como podem ter razão? Assim, está criado o espantalho, que é transformar o “pequeno grupo”, em um monstro social, desprovido de razão e fundamentalista.

Sheherazade: Prometem fazer o desbatismo coletivo contra aquilo que chamam de imposição religiosa.

Bar: Temos aqui, ela preparando o terreno para o “apelo ao ridículo”, dado que a ideia de desbatismo é algo sensacionalista, mesmo, porém, o sensacionalismo do ato não visa o ato, em si, mas, sim, chamar a atenção para situações claras de desrespeito ao Estado laico.

Sheherazade: Esquecem, esses ateus, que o cristianismo é uma escolha pessoal e racional.

Bar: Nesse ponto, ela apela para a “distorção de fatos”, a partir de um “Dicto simpliciter”. Ao afirmar que “o cristianismo é uma escolha pessoal e racional”, ela coloca, no mesmo “saco”, todos os cristãos do mundo, ou seja, é como se ela fosse capaz de perscrutar os motivos de todas as pessoas que se dizem cristãs. Ora, antropologicamente e socialmente falando, sabemos que é muito difícil uma pessoa se levantar contra uma “verdade” socialmente (familiarmente) constituída. Como analogia, podemos começar a fazer um exercício procurando enumerar quantas pessoas, você conhece, que deixaram de ser torcedores de um determinado time de futebol, familiarmente constituído (seja o do pai, seja o da mãe). Sim, existem muitos, concordo, mas o número de pessoas que tende a seguir o time familiar é muito grande. O mesmo ocorre com a religião. Os ateus seriam aqueles que não acreditam mais no futebol, usando eu, da falácia da “falsa analogia”.  Assim, voltando ao tópico, a apresentadora distorce os fatos, ao omitir que a escolha da religião nem sempre é pessoal e racional.

Sheherazade: O exercício do livre arbítrio.

Bar: Outra vez ela repete as falácias supracitadas, ao tentar dizer que TODAS as pessoas escolhem sua religião pelo “exercício do livre arbítrio”, Aqui, vale um “abre colchetes”: A ideia de livre arbítrio, já é bastante contraditória, pois, um pessoa pode, então, “escolher” ser criminosa baseada no “exercício do livre arbítrio”, o que é sabidamente contrário ao sistema de leis de nosso país “fecha colchetes”.

Sheherazade: Onde até o batismo de crianças católicas precisa ser confirmado na idade da razão.

Bar: Como já foi dito, é muito difícil se desvincular de uma ideia familiarmente e socialmente constituídas. Sim, algumas religiões fazem sua “profissão de fé” na adolescência (o que eu não chamaria de idade da razão), porém, novamente, muitas delas (não todas) pelo simples ato de consuetudinariedade, dado que foi criado naquele pensamento e não sucumbiu a nenhum pensamento de reflexão contraditória.


Sheherazade: Mesmo assim, esses ateus, pretendem fazer barulho e alertar contra os males da fé, afrontando o Papa e milhões de fieis em plena Jornada Mundial da Juventude.

Bar: Novamente um ad hominem e falácia do “desvio de assunto”, dado que os ateus não estão lá para alertar contra os “males da fé”, mas sim para alertar sobre o desrespeito ao Estado Laico, num protesto pacífico. Novamente, eis que surge o “espantalho”, sim, porque só um “monstro” poderia afrontar uma pessoa tão bondosa que é o Papa. Nesse sentido, sua colocação atinge seus objetivos, pois, desvia o foco real da manifestação e, ainda por cima, reafirma o quão “perniciosos” são os ateus.

Sheherazade: Esquecem, eles, que a intolerância religiosa é inadmissível neste país, que garante a liberdade de crença.

Bar: Vemos uma “inversão de causa e efeito”. Ao ameaçar os ateus de “intolerância religiosa”, ela distorce a realidade. Os ateus estão se mobilizando não contra uma religião ou grupo religioso, mas a favor da confirmação do Estado Laico, do respeito às diferenças, do fim de uma cripto teocracia. Esquece, a reportes, que intolerância religiosa pode levar a perseguição religiosa, a qual pode se referir  “a prisões ilegais, espancamentos, torturas, execução injustificada, negação de benefícios e de direitos e liberdades civis. Pode também implicar em confisco de bens e destruição de propriedades, ou incitamento ao ódio, entre outras coisas”. Bem, eu não vejo nada disso acontecendo, a não ser no próprio discurso da Rachel, a qual faz, claramente e na surdina, uma incitação ao ódio contra os ateus. Se alguém está sendo intolerante, aqui, não são os ateus, minha cara.

Sheherazade: Pobres ateus, eles não sabem o que dizem, incomodados e inconformados pela fé, protestando contra o que não acreditam, tentando, em vão, apartar o homem de deus.

Bar: De novo, ad hominem (pobres ateus), ao conduzir a opinião das pessoas a entender os grupo de ateus como pessoas que carecem de algum cuidado;  apelo ao ridículo (não sabem o que dizem), sério que não sabem? Baseada em quê afirma tal coisa? É fácil dizer que o outro não sabe o que diz sem trazer nenhum argumento que sustente sua alegação;  apelo ao preconceito (incomodados e inconformados pela fé), ao dizer que os ateus são incomodados e inconformados pela fé, ela traz o preconceito sobre aos valores morais do ateu, pois, é sabido que, em nossa sociedade cristã, a fé é um valor “positivo”, logo, quem se opõe a tal valor não é uma pessoa moralmente confiável;  desvio de assunto (protestando contra o que não acreditam), de novo, o protesto não é contra a religião, nem deus, nem os religiosos. A religião é uma ideia seguida pelos religiosos, como tal, pode ser questionada a qualquer momento, pois, não existe assunto intocável. A ideia de deus é que é questionada, e não deus, em sim, pois ateus não acreditam em divindades, e, dessa forma, a jornalista, novamente, desvia do assunto e, ainda por cima, traz informações falsas sobre o movimento; magister dixit (apartar o homem de deus), pois, ao trazer a ideia de deus para o discurso, apela para sua autoridade divina, afinal, quem, em sã consciência, afrontaria deus, segundo o senso comum do brasileiro. Assim, eu considero essa frase a obra prima de Sheherazade, pois, em poucas linhas ela conseguiu usar, de maneira magistral, de Bulverismo.

Sheherazade: Irônico é que sem deus não haveria nem católicos, nem judeus, nem islâmicos, nem agnósticos, nem mesmo os ateus.

Bar: Nessa frase, minha cara, você traz um erro CRASSO (justificável pela limitação de "lentes" que constituem sua opinião), ao apelar para a Afirmação do consequente. Sua frase está TOTALMENTE tendenciosa ao dizer que "SEM DEUS", na verdade e para ser honesta, deveria dizer que “Irônico é que sem a IDEIA de deus”, sim, pois deuses são ideias, enquanto não existe forma de provar sua existência, nem sua inexistência, os deuses não passam disso: IDEIAS antropomórficas do homem para explicar sua própria existência.


Assim,  temos que tirar o chapéu para essa apresentadora, pois, em menos de 2 minutos, ela alcançou boa parte de seu objetivo, que é fazer os ateus, espantalhos sociais, incitando o ódio e a ojeriza da sociedade contra todos nós ...

Falácias citadas nesse artigo

Falácia do espantalho: Consiste em criar ideias reprováveis ou fracas, atribuindo-as à posição oposta.

Argumentum ad hominem:  (latim, argumento contra a pessoa) é uma falácia identificada quando alguém procura negar uma proposição com uma crítica ao seu autor e não ao seu conteúdo. Um argumentum ad hominem é uma forte arma retórica, apesar de não possuir bases lógicas.

Argumentum ad populum: é um raciocínio falacioso que consiste em dizer que determinada proposição é verdadeira ou falsa simplesmente porque muitas pessoas (ou a maioria delas) acreditam que seja assim1 . A falácia se dá porque é perfeitamente possível que muitas pessoas (ou a maioria das pessoas) estejam equivocadas.

Apelo ao ridículo: é uma falácia lógica que apresenta o argumento do oponente sob uma forma que parece ridícula.

Distorção de fatos: Mascarar os verdadeiros fatos.

Dicto simpliciter: é uma das treze falácias citadas por Aristóteles. Ela ocorre quando uma regra geral é aplicada a um caso particular onde a regra não deveria ser aplicada. É uma generalização não qualificada.

Falácia da falsa analogia:  é o erro que cometemos ao estabelecermos uma igualdade pela simples verificação de certas semelhanças, sem termos em conta as diferenças.

Desvio de assunto: Tira-se o foco principal para cair numa outra conclusão que não se relaciona com o presépio.

Inversão de causa e efeito: é uma falácia que consiste em dar como causa de uma coisa aquilo que é na verdade seu efeito.

Apelo ao preconceito: Associar valores morais a uma pessoa ou coisa para convencer o adversário.

Afirmação do consequente: Essa falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do modus ponens (afirmação do antecedente) nem do modus tollens (negação do consequente).

Magister dixit (Meu mestre disse): Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a premissa.

Bulverismo: Argumentar partindo do pressuposto de que o oponente já está comprovadamente errado.



Fonte: Wikipedia

Nenhum comentário:

Postar um comentário