sábado, 26 de setembro de 2009

Quero Meus Direitos Civis!!!

Delírios de Mim Mesma.

Cresci ouvindo histórias que contavam sobre a dificuldade que os evangélicos tiveram em ser ouvidos e aceitos em suas opiniões e posições.

Hoje, estou vendo as mesmas histórias, mas com a moeda virada.

Antes de continuar, quero citar alguns trechos da nossa constituição.

Em Seu Preâmbulo diz: "Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a ASSEGURAR O EXERCÍCIO DOS DIREITOS SOCIAIS, INDIVIDUAIS, A LIBERDADE, A SEGURANÇA, O BEM-ESTAR, O DESENVOLVIMENTO, A IGUALDADE, E A JUSTIÇA como valores supremos de uma sociedade FRATERNA, PLURALISTA e SEM PRECONCEITOS, fundada na hamonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL."

Em seu Artigo 5º, diz: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza."

No Parágrafo IV diz que " é livre a manifestação do pensamento."

No Parágrafo VI que " é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias."

No Parágrafo IX que "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença."

Voltando as histórias que ouvi durante a minha infância, eu pergunto: "Está certo que você faça com o seu próximo o mesmo que fizeram de ruim com você?".

Fala-se de manifestações religiosas em favor da família e em favor da vida, mas que vida é essa onde as pessoas sequer podem ter liberdade de expressão?

Há alguns anos eram os evangélicos que não podiam exercer seu direito de realizar cultos nas praças ou passeatas sem serem apedrejados, e hoje eles lutam pra que o direito de ser gay seja vetado. Não demora muito pra que na próxima parada lgbt, apareça um bando de descontentes e joguem pedras nos passantes.

Quero ter o meu direito de andar nas ruas, não pra dizer ou mostrar que sou gay, mas para pedir que eu tenha meus direitos civis assegurados.

Quero viver em paz, sabendo que quando eu não mais existir, minha família fique amparada.

É gente, eu tenho família!!!

Tenho uma companheira, um enteado, uma gatinha e juntos formamos uma família há 6 anos. E nada mais justo que quando eu me for, minha companheira fique com a casa que está no meu nome, mas que é nossa, e tenha direito a receber uma pensão, já que contribuo com a previdência social.

A Constituição não nos reconhece como casal, pra falar a verdade, não sei nem se tem algum código ou regulamento que nos reconheça, e é por isso e para isso que estamos lutando.

E acreditem vocês ou não, quando a maioria de nós vai pra's ruas não é para exibir um corpo atlético, malhado, sarado, mas para confrontar, e diria até escandalizar, pra ver se assim somos vistos. E felizes daqueles que conseguem nos conhecer por trás daquelas máscaras exibicionistas. Somos humanos, carinhosos, cristãos, verdadeiros cidadãos, esforçados e inteligentes.

Assim como vocês conquistaram seus direitos, tendo como base o capítulo 5º, Parágrafo VI, deixem que outras classes que hoje são discriminadas tenham seu direito de voz.

E se os incomoda tanto ver manifestações públicas nesse sentido, fiquem em casa ou vão para as igrejas, até porque tem muitos que não querem ir a igreja e nem por isso pedem que elas sejam extintas.

Nos deixem lutar pelos nossos direitos!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário